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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Livre Arbítrio, na visão Calvinista.

Livre Arbítrio, uma expressão usada por todo o mundo, mas sem o cuidado de uma definição ou até mesmo com ausência total de definição.

Vejamos a definição que alguns homens nos oferecem, da expressão Livre Arbítrio:


- “É uma faculdade da razão pela qual se pode discernir o bem e o mal, e da vontade, pela qual se pode escolher um ou outro.” – Orígenes

- “É uma faculdade da razão e da vontade pela qual se escolhe o bem, quando se tem a assistência da graça de Deus, e o mal, quando não se tem essa assistência.” – Agostinho de Hipona

- “É uma concessão feita à liberdade do querer, que não se pode perder, e um julgamento indeclinável da razão.” – Bernardo de Claraval


Petrus Lombardus, o Mestre das Sentenças, e os doutores escolásticos preferiam a definição de Agostinho, porque é mais fácil e não exclui a graça de Deus, sem a qual eles reconheciam que a vontade humana não tem nenhum poder.

Mas o que significa a palavra “arbítrio”? Para Petrus Lombardus e os doutores escolásticos, a palavra “arbítrio” deve referir-se à razão, cuja função é discernir o bem e o mal. Já o adjetivo “livre” ou “franco”, que se junta à palavra “arbítrio”, pertence propriamente à vontade, a qual pode ser inclinada para uma parte ou para outra. Assim, Tomás de Aquino, entende que a liberdade ajusta-se propriamente à vontade: “O livre-arbítrio é uma virtude eletiva que, intermediária entre a inteligência e a vontade, todavia inclina-se mais para a vontade”.

A força do livre-arbítrio, como vimos até aqui, consiste na razão e na vontade. Quanto a sua extensão, geralmente lhe são atribuídas coisas externas, não referentes ao reino de Deus, mas ao conselho e à escolha dos homens; a verdadeira justiça é atribuída à graça de Deus, e a regeneração, ao seu Espírito. Assim, entendemos que há três tipos de querer: o sensitivo, o animal e o espiritual. Quanto aos dois primeiros, o homem é declarado livre, mas, quanto ao terceiro, se diz que é operação do Espírito Santo.

Podemos observar que aqueles que tratam do livre-arbítrio não dão muita atenção às obras externas, pertencentes à vida corporal, mas consideram principalmente a obediência à vontade de Deus. Calvino considerava esta segunda questão como a principal, ao mesmo tempo em que não negligenciava a outra: “O homem não tem livre-arbítrio para praticar o bem, a não ser que seja ajudado pela graça de Deus e pela graça espiritual ou especial, dada tão-somente aos eleitos, mediante a regeneração”. Petrus Lombardus declara que o homem não tem o livre-arbítrio no sentido de que ele é auto-suficiente para pensar ou praticar tanto bem como o mal, mas unicamente no sentido de que ele não está sujeito à obrigação forçada, ao constrangimento. Essa liberdade não sofre impedimentos, por mais malignos e servos do pecado que sejamos, e ainda que não consigamos fazer outra coisa que não seja o mal. Assim, vemos que o homem não tem o livre-arbítrio porque tem a liberdade de escolher tanto o bem como o mal, mas ele, o homem, faz o que faz por que quer, e não por constrangimento.

Ora, que bela liberdade é essa, diz Calvino, que o homem é constrangido a servir o pecado, mas que o faz numa servidão voluntária, e que a sua vontade é mantida prisioneira pelos laços do pecado! E, prosseguindo nas palavras de Calvino, quando se atribui ao homem o livre-arbítrio, quantos não haverá que incontinenti se julgarão mestres e senhores do seu juízo e da sua vontade, e capazes de fazer girar a virtude de um e de outro lado? Poder-se-ia dizer que o perigo poderia ser extirpado, desde que as pessoas sejam advertidas quanto ao sentido da expressão “livre-arbítrio”. Para Calvino, o melhor seria dispensar tal vocábulo, porque, uma vez inventado, é logo bem recebido por quem não leva em conta a exposição feita pelos antigos; e o toma como motivo para orgulhar-se em si mesmo. Assim, tal vocábulo se torna um enfeite soberbo para algo insignificante.

Agostinho, em seus escritos, confessa que a vontade do homem não é livre sem o Espírito de Deus, visto que é dominado por suas concupiscências. E mais, que depois que a vontade é dominada pelo mal em que caiu, a nossa natureza perdeu a liberdade. O homem, ainda segundo Agostinho, fazendo mau uso do livre-arbítrio, perdeu-o, e perdeu-se e, por consequência, o livre-arbítrio está em cativeiro e não pode fazer bem algum.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Porque Devo Ser Um Calvinista


Por que devo ser um calvinista: explicando a soberania de Deus sobre o homem e o pacto com o homem


“Pois, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, porque me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!” —1 Coríntios 9.16


Nosso mundo pós-moderno diz muito sobre “opções”. É dito muito pouco sobreconvicções. Supõe-se que todos sejam felizes com suas próprias “preferências”, e o acordo tácito é que eu não me preocuparei demais com suas preferências (digamos, por exemplo, homossexualidade, cereal matinal, carros antigos, pedofilia, ou Dan Rather) se você não se preocupar demais com as minhas. Nós simplesmente fazemos “escolhas”, e estamos certos que não nos tornamos dogmáticos demais sobre elas. A Bíblia, por outro lado, tem pouco a dizer sobre o que chamaríamos “preferências”. Tem muito que dizer sobre o que definimos como “convicções”. Preferências são escolhas que nos agradam; convicções são crenças que nos compelem.



Paulo estava convencido de que Deus o havia chamado para pregar o Evangelho. Isso não era uma preferência. Era uma convicção. Esse é o porquê ele declarou que “era imposta essa obrigação” sobre ele. Ele era dirigido por uma obrigação interna – uma compulsão que o próprio Deus tinha instilado nele para pregar o Evangelho.

Hoje vou falar sobre por que eu devo ser um calvinista. Não estou falando principalmente por que você deveria ser um calvinista, embora se você não seja um calvinista, espero que se torne um. Não estou abordando o tema “Por que sou um calvinista”. Isso poderia simplesmente terminar sendo uma dissertação desapaixonada. Sobre o que estou falando hoje arde em minha alma e inflama a minha mente. Isso é o que verdadeiras convicções fazem. Não são simplesmente assuntos de discussão vagarosa. São assuntos de convicção apaixonada. Por que eu devo ser um calvinista?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Mauro Meister - Lei e Graça

A relação da Lei com o cristão é, até hoje, alvo de grandes debates. O cristão deve guardar a Lei? O cristão está sob a Lei? Não, mas em qual sentido? Todo? Só da maldição? Neste vídeo, Mauro Meister, professor de Antigo Testamento no Andrew Jumper, fala sobre a perspectiva reformada clássica sobre a relação Lei e Graça

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Fonte Voltemos ao Evangelho no You Tube

sábado, 24 de novembro de 2012

Dicas aos calvinistas de primeira viagem



Não que eu seja alguém com tamanha bagagem pra ensinar a respeito do calvinismo, mas com todas as situações que passei depois que me tornei monergista, queria passar umas dicas pra quem está começando agora..


- Prepare-se para lembrar sempre que você é minoria.

Você vai passar o resto da vida ouvindo coisas que vão te aborrecer muito, coisas que biblicamente não fazem sentido; mas isso faz parte, portanto seja tolerante e humilde, lembrando sempre que um dia você também não sabia do que sabe hoje.
Considere também o fato de que qualquer pessoa naturalmente crê em livre-arbítrio, inclusive os neo-ateus (com algumas exceções), então quando conversar com alguém sobre isso tenha em mente que provavelmente ela nem saiba ao certo o que está defendendo.


- Prepare-se para preferir usar o termo “monergista”

Se você concorda com o que dizem os 5 pontos da TULIP, pode se considerar um calvinista, porém eu pessoalmente prefiro o termo “monergista”, por não estar atrelado a uma pessoa (Calvino)..
As pessoas preconceituosamente dirão que por ser “calvinista” você segue a Calvino e não a Cristo, e com certeza vão citar (1 Coríntios 3:4-5), então prefira ser chamado de “monergista”, que diz respeito ao seu entendimento soteriológico, crendo que a Salvação é obra exclusiva de Deus.


- Prepare-se para não ficar bravo quando te chamarem de “separatista” ou “sectarista”

Pelo fato de você falar em eleição e conseqüentemente em pessoas eleitas, vão dizer que está causando divisão, e que isso é diabólico. Por isso procure sempre se lembrar que o próprio Jesus disse que a divisão ocorreria (Mateus 10:34-37).


- Prepare-se para ser considerado arrogante ou até mesmo “queridinho(a) de Deus”

Pelo fato de você falar em segurança na salvação para os eleitos, muitos vão dizer que isso é arrogância ou prepotência, ignorando que na verdade a obra de Jesus na cruz é a única garantia que o cristão de que ele é salvo, pela fé. Lembre-se de que a salvação é garantida pelo próprio autor e consumador da mesma.


- Prepare-se para as acusações preconceituosas.


Quando você falar sobre predestinação, é quase certo que surgirão algumas “acusações” clichês: “Então você pode pecar à vontade??”, “Então o IDE é besteira??”, e por aí vai.. Prepare-se para ter as devidas respostas para essas dúvidas que naturalmente surgem nas mentes das pessoas.


- Prepare-se para ser “mais santo”

Pelo fato de você pregar que a salvação vem pela fé e não pelas obras, dirão que isso é desculpa para você pecar à vontade, então a melhor maneira de você provar que estão errados é dando um melhor testemunho do que o deles.. Busque a santidade para a glória de Deus, mas use esse fator como motivação também.
Lembre-se principalmente que o fato de ser um eleito não deve te tornar algum orgulhoso, mas muito pelo contrário, se você é calvinista deve se reconhecer como um pecador miserável que só foi salvo pela misericórdia DEle, e nada em você ou que você tenha feito influenciou nessa escolha..


- Prepare-se para ser encarado como ingênuo, ser chamado de herege ou até ser mandado para o inferno.

É verdade, quando você fala sobre o calvinismo para alguém que está bitolado no arminianismo, as reações muitas vezes são essas.. Uns vão achar que você está inventando coisas, outros vão se sentir insultados e alguns até ficarão irados com você..
Aproveite para citar que Lutero e Calvino criam assim como você, e Agostinho antes deles.. Cite também John Bunnyan, o autor de “o Peregrino”, que é o livro mais vendido depois da bíblia. Fale sobre Spurgeon, o príncipe dos pregadores, que era ”calvinista roxo”, entre muitos outros..
Mas antes de tudo isso pense se vale a pena, pois talvez a pessoa nem saiba quem são esses..


- Prepare-se para receber uma enxurrada de versículos que, FORA DO CONTEXTO, supostamente apóiam o sinergismo.

Não serão poucos, mas todos podem ser explicados quando dentro de seus contextos, então se acostume a receber esses textos e tenha em mente as respostas pra eles (geralmente a mesma resposta serve pra quase todos os casos)..
Quando você fizer uma exposição sobre o monergismo pela primeira vez a um sinergista você COM CERTEZA receberá esses textos como “contra-argumento” e como se você nunca os tivesse lido ou entendido, mas seja humilde e explique o real sentido deles com muita paciência.


- Prepare-se para sentir na pele o que é teimosia.

Você com certeza ouvirá muitos argumentos sem consistência e coerência lógica alguma, mas as pessoas que lhe disserem vão TE acusar de dizer coisas sem sentido. Algumas vezes eles dirão coisas que no fundo nem eles acreditam, só pra não sair por baixo, em outros casos fugirão da conversa e falarão somente “nas suas costas”.


- Prepare-se para ouvir deles que “monergismo ou sinergismo não afetam em nada a salvação”.


Geralmente depois de verem que não tem saída, eles vão preferir o comodismo, e pra isso dirão que tanto faz ser monergista ou sinergista. Você deve concordar com eles que isso não garante ou exclui a salvação de alguém, mas tenha em mente que ao crer nas doutrinas da Graça você tem uma base muito mais sólida para a vida cristã, e não negocie isso, não abra mão de defender essas idéias.

Obs.: Note que eles dirão que tanto faz, mas que de forma alguma eles “largarão o osso” do livre-arbítrio..


- Prepare-se para ser ignorado.

Quando você vira calvinista tem o desejo de contar a todos sobre a mudança de visão que você está experimentando, por isso, muitas vezes pode acabar sendo afoito tentando divulgar essa doutrina.. Isso é natural, mas prepare-se para ser rejeitado e ignorado..
Muitas pessoas passarão a não dar importância ao que você diz nesse sentido, e tantas vezes você ficará sem respostas quando questionar alguém sobre o assunto.


- Prepare-se para ver pessoas se afastarem do seu convívio.

Isso é resultado do que eu já vinha dizendo.. Quando mais firme defensor das doutrinas da Graça você for, mais facilmente as pessoas vão ficar irritadas com você e evitarão te ouvir falar sobre isso, então aprenda a conviver com momentos de solidão.


- Prepare-se para ouvir sobre Serveto (Servet)


Sim, ao passo que as pessoas não conseguem negar o que você expuser biblicamente, algumas vão atacar o homem que deu nome ao calvinismo (Calvino). Você certamente ouvirá (inúmeras vezes) sobre o episódio onde o descobridor da circulação sanguínea, Miguel Servet foi condenado à morte por heresia, e colocarão a culpa em Calvino como “inquisitor”.
Há diferentes versões para esse fato, mas o importante é você estar ciente que da mesma forma que Jonas pregou contrariado e tantas pessoas foram salvas, mesmo que Calvino fosse o pior homem na Terra, o fato dessa doutrina ser BÍBLICA é o que a torna verdadeira.

Obs.: Podem falar também sobre o fato de Spurgeon ter sido fumante de charutos, mas a regra é a mesma..


- Prepare-se para saber como se explicar.


Essa parte é a principal.. Leia a bíblia!! Leia bastante a bíblia!!
Tendo dúvidas sobre certos temas, procure o que antigos e atuais teólogos diziam ou dizem sobre isso..
Leia!! Leia!! Leia!!
Ouça sermões, leia pregações, aperfeiçoe sua apologética!!

Todo calvinista é sempre bombardeado e o que vai fazer a diferença é você saber responder ou não..
Eles não tem respostas para maioria das principais perguntas, mas não adianta você reclamar, faça a sua parte e responda a eles tudo aquilo que for possível.


- Prepare-se para ser paciente.


Somado ao conhecimento, para lidar com tudo isso você precisará de MUITA paciência, então treine isso.. Lembre-se do que Cristo fez e suportou em seu favor e lembre que hoje você só sabe dessas coisas porque alguém te contou, então “pessoas precisam de pessoas”, e seu papel é “transmitir as boas-novas”.


- Prepare-se para ser simples nas palavras.

Observe sempre com quem você está falando e por isso não dê um bife pra quem só come sopa.. Use as palavras mais simples de acordo com quem te ouve, buscando facilitar o entendimento, portanto evite termos teólogicos com quem os desconhece.
Lembre-se que Jesus usava parábolas, então uma boa idéia é usar exemplos criativos e simples de serem “digeridos”.


- Prepare-se para não ser somente um “teólogo”.


Viva conforme o que você crê.
Não pense que a teologia te salvará, ela somente te aponta o caminho.. Sem reconhecer a Cristo como Seu Senhor e Salvador genuinamente, se você não busca amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo na prática, seu calvinismo te torna um hipócrita, então não se apóie nisso..


E por fim eu acrescento um item extra somente que é: “Se possível procure tutores”.
Digo isso porque as dúvidas sempre aparecem trazendo certa confusão, mas ter um instrutor ou mesmo participar de um grupo no qual as pessoas tenham a mesma visão que você com certeza será muito útil para o seu crescimento e o deles..

É isso.. Pode ser que futuramente eu acrescente mais itens a essa lista, mas basicamente são essas as dicas..

Extraído de: Barrabás Livre